Ilustrações e escritos, ficcionais ou não, por Maria Eloise

sábado, 13 de fevereiro de 2016

As glórias de Eva


Canta, mãe terra
Ou antes chora de desgosto
Por teus filhos ingratos
Presos a orgulhos inatos
O amor do peito já deposto

Chorem, mulheres
Na dor de parir
Um fruto corrompido
Do céu de sangue caído
E de quem a vida verão ruir

Geme, garota
A quem difamaram
Por teu jeito torto ou corpo dado
Não te culpes pelo humor dilacerado
De ódio e rancor é que te armaram

Lamenta, menina
Regrada na prece
Desnutrida de força
Para ser boa moça
Em cujo peito o orgulho perece


Gravidade

A tristeza profunda
Me entrega, contente,
O fruto da desgraça
Como fosse uma serpente

A Treva peçonhenta
Me afoga no medo
Me devora com a força
De um buraco negro

Abafo as feridas
E não canto alegre
Estes versos puídos
Às traças entregues

A alegria, mofada
Já não se debate
Aceitou seu destino
De porco no abate

Como ser da escuridão
Afugentei a luz
Vê este brilho de vida?
Ele não me seduz

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Nerak

Das vezes em que me sinto só
Que nem consigo de ti lembrar
É quando me atiro ao pó
Olhando pro céu a chorar

Então vem teu nome e brilha
Ilumina esta mente fraquejante
Tal como bateria ou pilha
Que me faz seguir à diante

Ai, amiga, como te adoro
Como sou grata por te ter comigo
Por amizade mais completa, a Deus não oro

Pra espaço e tempo já não ligo
Nossas almas se unem como irmãs
E preocupações com o eterno se tornam vãs