Borboleta - O clamor das asas


Borboleta
Parei no estágio de lagarta
Arrastando-me apenas por folhas instáveis
Aspirando sonhos ainda inviáveis
Provando um querer que ao coração farta

Ou antes me mantive em modo crisálida
Envolta pelas finas sedas do labor
Oculta em meus véus de puro pudor
A vergonha priva o mundo da alma cálida

As asas atrofiadas se querem bater
Em dor agonizante o dorso vem arder
A força contida em meu próprio ser abate

Encarcerada em minha casca como estou
Fazendo chorara borboleta que não sou
As asas clamam: "esses véus, sedas e vergonha, mate"

O clamor das asas
Mate os véus
Sedas e vergonha
Lagarta, cresce
Voa, sonha

Não agoniza aqui dentro
Vê? Choramos por ti
Não permita ao teu calor
Na morte de ti sumir

Comentários

  1. Belos versos moça, um toque de melancolia que me lembro aos poemas da Florbela Espanca <3

    Muito bom mesmo.

    www.poesiaemtranse.com

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

As glórias de Eva