Ilustrações e escritos, ficcionais ou não, por Maria Eloise

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Borboleta - O clamor das asas


Borboleta
Parei no estágio de lagarta
Arrastando-me apenas por folhas instáveis
Aspirando sonhos ainda inviáveis
Provando um querer que ao coração farta

Ou antes me mantive em modo crisálida
Envolta pelas finas sedas do labor
Oculta em meus véus de puro pudor
A vergonha priva o mundo da alma cálida

As asas atrofiadas se querem bater
Em dor agonizante o dorso vem arder
A força contida em meu próprio ser abate

Encarcerada em minha casca como estou
Fazendo chorara borboleta que não sou
As asas clamam: "esses véus, sedas e vergonha, mate"

O clamor das asas
Mate os véus
Sedas e vergonha
Lagarta, cresce
Voa, sonha

Não agoniza aqui dentro
Vê? Choramos por ti
Não permita ao teu calor
Na morte de ti sumir

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

quinta-feira, 11 de junho de 2015

A Casa [repost]

Conto criado em conjunto com Beatriz Góes
Aproveitem e ouçam a música <3 

“Se vir ou ouvir qualquer coisa, saia correndo imediatamente.” Foi o conselho que ouvi da minha avó quando tinha oito anos. Na verdade, este foi um segundo conselho. O primeiro foi: “Nunca atravesse os portões daquela casa”. Eu deveria ter escutado minha avó desde o primeiro alerta, pois, mesmo agora, já com vinte e sete anos, não consigo esquecer aquela maldita música, aquela visão ou mesmo aqueles olhos… 
   É bem normal que moleques se desafiem para provar quem é o mais corajoso. Tipo apertar a campainha dos vizinhos e sair correndo. Também passei por isso. Mas naquela cidadezinha a história era outra. Os desafios eram quebrar janelas, assustar os bichos ou invadir casas. Coisas de pequenos vândalos. E eu estava entre eles. “Duvido você quebrar aquele vidro”, diziam. Alguém ia e quebrava. “Vocês viram?! Acertei em cheio!” Todos saiam correndo e rindo dos berros do morador. “Seus moleques filhos-da-mãe! Tomara que a Mulher das Bonecas pegue vocês!”. “Duvido você estourar essa bombinha no meio daquelas galinhas”, diziam. Alguém ia lá e estourava. “Haha! Vocês viram quanta pena voando?” Todos saiam correndo e rindo dos berros do dono das galinhas. “Malditos vândalos! Venham aqui, seus covardes! Tomara que a mulher da casa da colina pegue vocês!” 
    “Duvido você entrar na casa da colina”, disseram para mim. 
    Entenda: não podia simplesmente dar para trás. Eu era tido como o mais ousado e corajoso dentre eles. E entrar naquela casa, nosso pesadelo infantil, seria a prova maior. “Não é você que vive dizendo que não acredita mais nessas histórias bobas? Pois então vá e entre na casa da mulher das bonecas de noite e sozinho!”, disseram, praticamente me empurrando em direção à maldita residência. 
   A casa caiada de dois andares parecia se sustentar sobre si mesma à custa de feitiço. Era o que sempre contavam nas histórias. Revirei os olhos ao atravessar o portão enferrujado, rezando para que ela somente não desabasse enquanto eu estivesse lá dentro. A casa parecia me vigiar desdenhosamente, desafiando-me a desbravá-la, como pretendia. Vi um vulto branco passando rápido por uma das janelas ao mesmo tempo em que uma rasga-mortalha piou estridentemente no céu. Ofegante de susto dei um passo para trás. A habitação parecia ainda mais sombria sob a fria luz do luar… Mas eu não podia permitir que minha neurose infantil tomasse conta e me fizesse correr como um cachorrinho assustado para o colo da vovó. Já tinha treze anos. Estava mais que na hora de superar aquele medo estúpido e infundado. Fora minha imaginação covarde que plantara aquele vulto na janela. Respirei fundo e entrei. 
   Fedia à mofo, serragem e ferrugem salgada dentro da casa. A única luz era a que entrava pelas janelas. A porta gemeu quando cautelosamente a empurrei, de mãos trêmulas. Deixei-a escancarada e adentrei mais na casa. Assim que pisei no corredor principal, uma melodia começou a tocar. Era doce e repetitiva, vinda não de um aposento específico, mas da casa inteira. Como se esta fosse uma enorme caixa de música viva. O meu coração começou a bater em disparada contra o peito, louco para fugir dali. 
   Foi quando prestei atenção em outro som. Um insistente bater de peças de madeira oca soava por trás da melodia. A reação natural de sair correndo abandonou meus pensamentos, dando lugar a uma curiosidade medrosa. Temeroso, fui em busca da origem daquele segundo som me esgueirando pelas sombras – até que cheguei numa sala. Uma sala cujas estantes estavam repletas de brinquedos. Pelúcias, bonecas e marionetes. Todas cobertas de pó e com algumas manchas negras em torno dos olhos, das bocas ou dos pulsos. Não distingui o que era e, indiferente, continuei a correr os olhos pela sala até que reconheci uma antiga cadeira de balanço na escuridão. Era de lá que vinha o bater de madeira oca. Agora acompanhado do rangido da madeira balançando. 
A melodia, o som da madeira, o ranger da cadeira de balanço. Tudo combinado formava uma sinfonia aterrorizante, onde faltava apenas a voz. E ela veio. Um “lálálá” no mesmo ritmo que ecoava pala casa inteira. Como se ninasse uma criança. Tapei os ouvidos e deixei escapar um pequeno gemido de agonia. A música parou. Um silêncio sepulcral caiu sobre aquela casa. Senti calafrios quando percebi que a dona da voz lentamente se voltava para mim. Por detrás dos cabelos negros e escorridos pude ver seus olhos injetados na pele cadavérica: eram olhos sem vida. Olhos de boneca. O pânico se estampou em meu rosto quando vi as marcas de linha em seu pescoço e ouvi o convite sair de seus lábios. “Quer brincar, meu pequeno?”, ela disse, oferecendo para mim as marionetes penduradas em seus dedos. 
Os olhos dos bonecos, diferente dos dela, exprimiam terror. Só então notei a semelhança com os outros brinquedos. Os olhos de todos eram humanos e, as tais manchas, eram sangue. Sangue seco que antes havia escorrido dos olhos, bocas e mãos das crianças que ela havia sequestrado. 
Sem pensar duas vezes, saí correndo daquele lugar maldito com as palavras da minha vó ecoando na mente: “Dizem que quem olha nos olhos dela, é perseguido por eles por toda a vida. E quem escuta seu ninar nem nos sonhos tem paz.”

Ela tinha razão.


terça-feira, 26 de maio de 2015

Te gozar é me perder.

Meu coração chora
Se a arte demora
Pra lhe penetrar
E diz: "vá sem calma
No fundo da alma
Te quero gozar"

A arte não liga
Se a mim purifica
Ou vem corromper
Me usa, me goza
Me joga na fossa
Faz eu me perder

terça-feira, 19 de maio de 2015

Dando as caras ><

Tenho estado bem afastada, sem nenhuma novidade, mas não abandonei o blog.
Só pra avisar mesmo: é que meu computador deu pau e até o substituto dele se foi. Só agora que comecei a ter acesso ao computador do meu irmão, então vou precisar digitar muita coisa ainda -.- (pelo menos boa parte das minhas histórias e poemas foi salva pelo meu e-mail...).
Tenho alguns desenhos e poemas novos e comecei a escrever um conto(?) sobre uma princesa e um prisioneiro fugitivo. Eu sei que ta meio clichê, mas espero que o enredo fique bom e agradável de se ler. Espero também que não demore seis meses para terminar ><
Enfim, esse post foi basicamente para dar às caras e dizer que o blog ainda está ativo.
Bj no kokoro ♥
Mary

terça-feira, 28 de abril de 2015

Noite na Taverna: Fim de semana

Noite na Taverna: Fim de semana: Mais um fim de semana. Nada mudou. Amanhã é segunda de novo, e nada mudou. Meu sono permanece o mesmo, como se eu não tivesse tod...

O que dizer?... Apenas que me sinto inteiramente assim. Procrastinadora da vida.

quarta-feira, 25 de março de 2015

A volta da Treva

Não encontro lugar para gritar
Não encontro lugar para chorar
Então ela grita para dentro
e preenche minha mente

A Treva está voltando insistente

Alguma luz, por favor,
leve embora esse meu terror.


terça-feira, 10 de março de 2015

Não é nada pessoal...

Imito o que fizeram comigo
Mas não tome isso como castigo
Apenas achei que poderia ser contigo
Já que não me queria como inimigo

Não é nada pessoal... Amigo...

Coração Bobinho

Meu coração é bem miudinho
e vive distraído no seu mundinho
se quiser leva-lo por qualquer caminho
basta a força de um mindinho

segunda-feira, 2 de março de 2015

Mary Doodles

Eu simplesmente amo esse vídeo, essa música de fundo e o desenho. Foi o primeiro vídeo que eu vi e me apaixonei pela arte da Mary (e o nome do blog não vem daí, ok?).

Let it go feat. Let it shine

Terminei de colorir minha Elsa! Aeee! \o/ Fiz uns efeitos com caneta brilhosa e gostei do resultado.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Sobre tristeza e arte e doces

Saber viver é uma arte
e sei que sofrer faz parte
só não consigo entender como
da tristeza salgada
pode surgir tanta arte doce
Será que se por Tristeza na arte,
sai do forno uma
Tarte de morango?


Sobre fazer merda

Faça e aprenda a limpar
Sempre verifique se está tudo certo ao seu redor
pois nem sempre haverá alguém
para cuidar das coisas para você
Uma vez que tenha aprendido,
acostume-se a lidar com o esse perigo
e nunca se acomode
Concerte as merdas que você faz.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Egocêntrica?

Ao terminar de escrever mais um capítulo da minha história “de adolescentes”, surpreendi acesa uma vontade que se encontrava calada já fazia algum tempo – a vontade de escrever sobre mim mesma. Escrever sobre meu corpo ou sobre a minha pessoa. Assim que identifiquei essa vontade pulsante em mim, parei para pensar: “será que sou egocêntrica?” e fiquei com isso na cabeça por um tempo.
Pouco tempo. Não durou nem um dia na verdade. E minha conclusão foi:

“Sou egocêntrica sim! E daí?”

Desde que me foi dito que todo artista é e deve ser egocêntrico, vi que precisava aceitar esse sentimento dentro de mim. Precisava enxergar como eu sou bonita, divertida e gosto de muitas coisas que faço bem. Não que eu pense em mim acima de tudo e de todos, mas percebi que, principalmente para alguém como eu, é importante conseguir enxergar e amar suas próprias qualidades sejam elas quais forem. Faz bem à mente e ao coração ter ciência de que você também tem seus pontos fortes e que pode explorá-los como bem entender. Isso eleva e muito a auto-estima e você passa a admirar seus próprios atributos e talentos em vez de admirar apenas aquela pessoa que você sempre quis ser. Não precisa deixar de admirá-la, mas que tal se olhar no espelho agora? Sei que tem algo que goste de fazer e que é bom nisso, então se aprimore. Deve ter alguma parte de seu reflexo que você goste de olhar, que ache bonito, então valorize.

Ninguém é perfeito ou feito de defeitos. Você pode admirar a si mesmo. Pode “se achar”. Se ache, se encontre. Descubra quem você é de verdade e aceite essa pessoa sem medo; ela sempre esteve com você, apenas esperando ser achada. Não pense que é melhor que alguém, mas se ache o máximo sendo você mesmo.

Ficou parecendo um texto de auto-ajuda, não é? Que nada! Esse é apenas um texto sobre mim; exatamente como eu queria. Um pequeno texto sobre esta Maria – talentosa, bonita, uma amiga confidente e... Egocêntrica.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Primeiro do ano!!!

Terminei de colorir esse desenho no dia primeiro e ficou muito bom!! Gostei do resultado. É o personagem Marshall Lee de Adventure Time.