Ilustrações e escritos, ficcionais ou não, por Maria Eloise

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Minhas recomendações de Halloween

Primeiramente, uma coletânea de contos do titio Poe, com destaque para "Os dentes de Berenice", "Ligeia", "Nunca aposte sua cabeça com o Diabo" e "O barril de Amontilado".
E, segundamente, um livro com quatro contos do meu querido Lovecraft, o qual me encantou com sua riqueza de detalhes ao mesmo tempo em que me permitiu imaginar formas absurdas.
Boa leitura e kiss no kokoro <3


sábado, 11 de outubro de 2014

Minhas unhas pretas


Devo primeiramente dizer que amo minhas unhas. Amo-as desde que me lembro delas longas e pintadas. Pretas, então, são praticamente meu orgulho feminino. Preto como base e cobertas com uma camada de vermelho sangue. Maravilhosas e compridas satisfazem e muito meu ego. Sinto muito prazer ao vê-las bem feitas por mim mesma. Sinto-me elegante de certo modo.
            Por outro lado, sendo tão compridas, conseguem me frustrar. Minhas unhas pretas e longas parecendo garras e, como tais, sentem vontade de arranhar. Para aliviar a ansiedade, podem arranhar minha calça jeans desbotada. Podem me ajudar a endireitar meus cachos como se fossem dentes de um pente. Porém, ultimamente elas têm me frustrado por estarem desejando coisas novas. Arranhar pele que não seja a minha; repuxar cabelos que não os meus.

            Ainda amo minhas unhas. São lindas. Elas me amam porque as deixo lindas. Já nos amamos muito. Minhas pretas e eu queremos conhecer novos amores. Para arranhar e cobrir de vermelho.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Peitos


Aí do nada eu tenho vontade de escrever sobre os meus peitos. Não seios, não mamas. Peitos. Assim como homens falam grosseiramente. Escreverei sobre esses atributos que me fazem mulher assim com minha vagina.
            Por que o espanto? Eu sou mulher. Tenho meus peitos e minha vagina, e todo mundo sabe disso. Tenho meus cabelos compridos e castanhos, minhas unhas longas e pintadas, meus lábios cheios e sensuais, meus quadris e coxas que sugerem uma fertilidade que ainda não tive como comprovar. Como qualquer mulher, tenho meus peitos de mamilos rígidos quando se libertam da prisão do sutiã. Ou quando sinto frio. Ou nos não tão raros momentos em que um estranho calafrio me percorre o corpo. Às vezes até sem motivo algum, trazendo sutil constrangimento para mim e para quem os vê, constatando, pelos dois pontos de destaque na blusa, que estão fora da prisão.
            Não sei dizer o tamanho – e não estou falando do número do meu sutiã. Tem vezes em que eles, comportados, cabem direitinho nas minhas mãos, macios e frios, sendo afagados como uma recompensa por mais um dia que passaram sufocados. Há outras em que, mesmo com meus dedos bem afastados, minhas mãos quase não os comportam; levados. Talvez eles também tenham oscilações de humor junto comigo.
            Acho engraçado quando meus peitos balançam enquanto corro. E até quando é com minhas amigas. Podemos rir daquele par de desajeitados sem nos preocuparmos em ofender, pois todas sabemos que isso acontece com quem tem uma “comissão de frente” considerável. Quem tem a sorte de não viver esse constrangimento geralmente se lamenta por “falta de peito”, mas eles estão lá. Pequenos e graciosos, combinando mito bem com seu corpo magro e delicado.
            Para finalizar, gosto dos meus peitos livres enquanto tomo um banho relaxante. Um banho daqueles tomados sem pressa antes de dormir, no qual posso desfrutar de cada gota de água fria que acaricia minha pele. Gosto também de, de vez em quando, dormir com os peitos livres, protegidos apenas pelo lençol, por meus braços e por um bicho de pelúcia. Pensando bem, já faz um tempo. Acho que vou dormir assim hoje.
            Sou mulher. Tenho meus peitos. Eles estão expostos. Cobertos, mas expostos. Todos os vêem e estão cientes de que eles existem.
            Aí do nada eu tenho vontade de escrever sobre os meus peitos. São meus peitos, por que não poderia?